Com temperaturas ideais que oscilam entre os 20 e os 35 graus durante o ano todo, o distrito de Majune é descrito pelos técnicos locais como um “gigante” para a piscicultura na província do Niassa. Contudo, transformar este potencial natural em peixe no prato e dinheiro no bolso exige mais do que água e terra: exige segurança sanitária.

Esta foi a premissa que levou o Projeto MAMAP (Acesso ao Mercado para os Produtos de Aquacultura de Moçambique), financiado pela Norad e implementado pela UNIDO, a realizar no dia 26 de Janeiro de 2026 uma formação estratégica em Biossegurança para os produtores locais.

O distrito, que atualmente conta com cerca de 60 tanques operacionais, procura deixar de depender exclusivamente da pesca nos rios, onde a escassez já se faz sentir. Para Andissone Issufo, técnico de pesca alocado ao distrito, a aposta na aquacultura é o caminho, mas requer profissionalização.

“O distrito de Majune atualmente é um dos que apresenta maior potencialidade ao nível da província… e a ideia é expandir mais para termos uma produção maior e não dependermos sempre dos rios,” explica o técnico, que acompanha diariamente o desafio de introduzir novas tecnologias no campo.

Do Investimento Arriscado ao Planeamento Seguro

Para os piscicultores presentes, a formação não foi apenas teórica; foi um alerta sobre a gestão do próprio dinheiro. Muitos produtores investem recursos significativos em ração e alevinos, apenas para perderem a produção devido a doenças ou predadores que poderiam ser evitados.

Felix Ernesto Alifa, um dos piscicultores participantes, destacou que a maior lição foi a necessidade de deixar de produzir “à sorte” e passar a ter um Plano de Biossegurança.

“O sucesso ou não da nossa atividade depende muito do que nós nos comprometemos a fazer,” afirma Felix. “Corremos o risco de investir algum dinheiro e perdermos no meio do caminho… Mas se nós tivermos um plano de biossegurança, aí podemos prevenir eventuais situações de doenças e mortalidades”.

Felix, que saiu da formação com o compromisso de aplicar estas medidas “à risca”, vê agora o controlo de acessos e a higiene não como custos, mas como a única forma de garantir o retorno do investimento.

Barreiras contra Inimigos Invisíveis

A formação focou-se também em aspetos práticos e imediatos, essenciais para a realidade rural de Majune. Regina Alano, piscicultora e estudante, aprendeu a combater inimigos visíveis e invisíveis.

“Aprendi muita coisa boa, como combater as doenças, assim como as pragas,” conta Regina. Ela destaca a importância de barreiras físicas: “Quando é caso de salamandra, podemos colocar cercos ao redor do tanque para podermos prevenir a entrada deles”.

Para Regina, a conclusão é clara: “Sem a biossegurança, nossa produção não vai correr bem… não podemos ter uma aquacultura sustentável”.

O Efeito Multiplicador

O impacto desta intervenção do MAMAP promete estender-se para além dos participantes diretos. A cultura de partilha de conhecimento é forte na comunidade. Cristina Saide, outra produtora capacitada, já planeia como disseminar o que aprendeu.

“Será uma réplica: quando eu chegar em casa, também informar os colegas e alinhar o trabalho… para que, nos anos que estamos a prever, termos boa produção,” garante Cristina, motivada pela qualidade técnica da formação.

Ao dotar Majune destas ferramentas, o Projeto MAMAP, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pescas, não está apenas a ensinar a limpar tanques; está a construir a infraestrutura de qualidade necessária para que o peixe de Niassa possa, num futuro próximo, aceder a mercados mais exigentes e rentáveis.

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