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Moçambique Celebra a Primeira Edição do Dia Internacional da Mulher na Indústria

“Mulher Moldando o Futuro da Industrialização” — Webinar UNIDO Moçambique, 21 de Abril de 2026

21 Abril 2026 Webinar · Zoom #IDWI2026
Maputo, 21 de Abril de 2026 IDWI 2026 Género Economia Azul UNIDO Moçambique

No dia 21 de Abril de 2026, Moçambique juntou-se ao mundo na celebração histórica da primeira edição do Dia Internacional da Mulher na Indústria (IDWI) — uma data instituída pela 21.ª Conferência Geral da UNIDO em Novembro de 2025, e apoiada por todos os Estados membros.

Para marcar esta efeméride, a UNIDO Moçambique organizou um webinar/mesa-redonda virtual subordinado ao tema “Realidade, Experiências e Desafios da Participação da Mulher na Industrialização de Moçambique”, reunindo líderes e especialistas de diferentes sectores da economia nacional.

O Projecto MAMAP — Acesso ao Mercado para a Aquacultura em Moçambique, financiado pela Norad e implementado pela UNIDO — esteve representado no painel, reforçando o seu compromisso com a promoção da equidade de género na cadeia de valor da pesca e aquacultura.

▶ Clique para ver — Webinar completo · Dia Internacional da Mulher na Indústria · UNIDO Moçambique · 21 Abril 2026

Uma Conversa que Chegou no Momento Certo

Ao abrir a sessão, o Representante da UNIDO em Moçambique, Jaime Comiche, enquadrou a data no contexto das prioridades globais e nacionais, expressando a esperança de que no próximo ano a celebração pudesse ser presencial e com maior abrangência.

A sessão contou com uma mensagem de vídeo do Director-Geral da UNIDO, que recordou que as mulheres representam 50% da população mundial, mas continuam sub-representadas na indústria — frequentemente em empregos mal remunerados e raramente em posições de liderança.

“Não estamos a falar de favores, nem de concessões. Estamos a falar de justiça económica, eficiência produtiva e desenvolvimento nacional.”

— S. Excia Custódia Paunde, Secretária de Estado da Indústria

A Secretária de Estado da Indústria, S. Excia Custódia Paunde, proferiu um discurso de abertura de elevado conteúdo programático, referenciando o Programa Nacional Industrializar Moçambique (ONAI) como instrumento concreto para catapultar investimentos e gerar emprego — “em especial para jovens e mulheres”.

O Painel: Cinco Vozes, Uma Mensagem

O painel de discussão reuniu cinco mulheres com trajectórias distintas, todas com experiência directa na intersecção entre género e industrialização.

ME
M

Maria Esperança Macovela

Assessora Sénior, Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME)

Com 25 anos no sector energético e mineiro, destacou que todas as directoras do MIREME são mulheres e que lideraram a revisão do pacote legal do sector. “Já passámos de intenção — agora temos de acelerar para que mais mulheres participem no sector.”

CC

Catarina Chidiamassamba

Programa Mais Peixe Sustentável · Desenvolvimento da Economia Azul

Trabalha com mulheres pescadoras artesanais nas zonas costeiras. O programa estabeleceu que pelo menos 40% dos beneficiários das subvenções sejam mulheres e usa a metodologia Gender Action Learning System (GALS) para empoderar economicamente as beneficiárias.

RI

Rebeca Ismael

Empresária e activista · Projecto Café Vumba, Manica

No Projecto Café Vumba, 80% das mais de 350 famílias beneficiárias são mulheres. “Esse número não é apenas um número — é sinónimo de força e independência financeira.”

MC

Mayisha Camal

Grupo CIR — mobilidade, indústria e logística (Metrobase, Cometal)

Falou da responsabilidade de abrir caminho em ambientes maioritariamente masculinos: “Não é só abrir portas — é garantir que as pessoas conseguem entrar, crescer e ficar.”

IT

Ivana Todorovic

COO e Directora de Marketing, MozParks

Com experiência em liderança em vários países, destacou o programa de estágios com 60% de participação feminina e a importância de começar esta mudança muito cedo — nas escolas e nas famílias.

As Três Ideias que Ficaram

01
Equidade, não apenas igualdade

A intencionalidade — ajustar formatos, horários e metodologias — é o que faz a diferença. Dar condições iguais não basta quando a sociedade parte de uma posição desigual.

02
Conhecimento antes de financiamento

O consenso foi claro: dar dinheiro sem capacitação prévia tem baixa taxa de sucesso. O conhecimento é o que torna o financiamento eficaz e duradouro.

03
Famílias e instituições em paralelo

Não há uma sequência — a mudança cultural nas famílias e o compromisso institucional têm de avançar simultaneamente, incluindo a transformação dos técnicos que trabalham no terreno.

“Se queres um bom homem para trabalhar, recruta uma mulher.”

— Jaime Comiche, Representante da UNIDO em Moçambique, citando um ditado partilhado no debate

A Voz da Economia Azul no Painel

A presença do Projecto MAMAP neste debate não é acidental. A aquacultura e a pesca artesanal em Moçambique têm nas mulheres uma força de trabalho maioritária — nas actividades pós-captura, na comercialização e no processamento. O MAMAP tem integrado a perspectiva de género na sua abordagem de acesso ao mercado.

A barreira da mobilidade — identificada por Catarina Chidiamassamba como um dos principais obstáculos às mulheres nas zonas costeiras, algumas a mais de 150 km das vilas — é também um desafio que o MAMAP enfrenta na disseminação de boas práticas de higiene, segurança alimentar e acesso a mercados formais.

As soluções partilhadas no webinar — levar os técnicos até às comunidades, realizar chamadas específicas para grupos vulneráveis e certificar que os procedimentos são éticos, seguros e livres de violência — alinham-se directamente com a filosofia de intervenção do projecto.

Para o Futuro

O encerramento de Jaime Comiche foi ao mesmo tempo uma síntese e um compromisso:

“Gostava que isto fosse o primeiro passo de uma acção coordenada dos vários sectores para dar visibilidade à participação da mulher e da rapariga na industrialização inclusiva de Moçambique.”

— Jaime Comiche, encerramento do webinar

A primeira edição do IDWI em Moçambique ficou marcada pela qualidade do debate, pela diversidade das vozes e pela urgência partilhada. O caminho é claro: capacitar, incluir e — sobretudo — ser intencional.

Sobre o Projecto MAMAP
O Projecto MAMAP — Acesso ao Mercado para a Aquacultura em Moçambique — é financiado pela Norad e implementado pela UNIDO Moçambique. O projecto apoia pequenos produtores e empresas de aquacultura no acesso a mercados nacionais e internacionais, com enfoque em qualidade, biossegurança e desenvolvimento de cadeias de valor inclusivas.
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