Iniciativa financiada pela Noruega visa fortalecer capacidades técnicas e melhorar acesso a mercados internacionais
Maputo, 26 de Janeiro de 2026 – O Projeto MAMAP (Market Access for Mozambican Aquaculture Products), implementado pela UNIDO com financiamento da Agência Norueguesa para a Cooperação ao Desenvolvimento (Norad), em estreita colaboração com o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) e a Associação Moçambicana de Aquacultura (AMAQUA), inicia uma série estratégica de formações sobre Biossegurança em Aquacultura nas províncias de Niassa, Nampula, Manica, Sofala e Tete.
As formações decorrerão em duas fases: a primeira fase, de 26 a 29 de Janeiro de 2026, abrange as províncias de Niassa, distrito de Majune (dia 26) e Nampula, distrito de Nacala (dia 28). A segunda fase realizar-se-á de 2 a 6 de Fevereiro de 2026, nas províncias de Manica, Sofala e Tete. Esta iniciativa enquadra-se no âmbito do Global Market Access Programme (GMAP) e alinha-se com a Estratégia de Desenvolvimento da Aquacultura 2020-2030 do Governo de Moçambique.

Contexto e Importância Estratégica
Moçambique dispõe de potencial para a aquacultura de água doce e marinha. O relatório identifica limitações de biossegurança, insumos, infraestruturas e conformidade com requisitos de qualidade. É neste contexto que se inscreve o programa de formação.
O sector aquícola moçambicano enfrenta desafios críticos relacionados com a biossegurança, incluindo a gestão de doenças aquáticas, a implementação de boas práticas de produção e o cumprimento de requisitos sanitários internacionais. A recente ameaça de surtos de doenças, como a Síndrome Ulcerativa Epizoótica (EUS) em países vizinhos, e os impactos históricos do vírus da mancha branca (WSD) no sector camaroneiro, sublinham a urgência de fortalecer as capacidades nacionais em biossegurança.

Fortalecimento de Capacidades para Competitividade e Sustentabilidade
“A biossegurança é fundamental para proteger a produção aquícola contra doenças, reduzir mortalidades e aumentar a produtividade das unidades piscícolas”, afirma o formador Vicente Ernesto. “Prevenir é sempre mais económico do que tratar. Estas formações vão dotar os operadores de ferramentas práticas para gerir riscos sanitários, contribuindo directamente para o cumprimento dos requisitos sanitários e fitossanitários (SPS) exigidos pelos mercados internacionais.”
Os workshops reúnem piscicultores e técnicos do sector em formação prática sobre biossegurança. Apoiam os três eixos do projeto: infraestrutura de qualidade, conformidade das empresas e cultura de qualidade.

Objectivos e Conteúdos da Formação
Ao longo das formações em cada província, os participantes irão:
- Compreender o conceito de biossegurança em aquacultura como ferramenta de gestão de risco e sua importância para a sustentabilidade do negócio e acesso a mercados
- Reconhecer os principais riscos sanitários numa unidade piscícola, identificar vias de transmissão de doenças e avaliar probabilidades de ocorrência
- Adquirir competências para elaborar um plano de biossegurança personalizado, adaptado às especificidades de cada unidade produtiva e em conformidade com requisitos internacionais
- Aplicar medidas práticas de prevenção e controlo de doenças, incluindo gestão de pragas, protocolos de quarentena e boas práticas de maneio
- Desenvolver planos de contingência eficazes para resposta rápida a surtos de doenças, minimizando impactos económicos e produtivos
A formação baseia-se no “Guia para Elaboração de um Plano de Biossegurança para Piscicultura“, preparado pelo Instituto de Inspecção de Pescas, IP, e aborda aspectos fundamentais como análise de risco, identificação de perigos, métodos de avaliação da probabilidade de ocorrência de doenças, vias primárias de transmissão, gestão de pragas e procedimentos de emergência.
Metodologia Participativa e Prática
O programa combina apresentações teóricas, dinâmicas de grupo e demonstrações práticas, garantindo que os participantes possam aplicar imediatamente os conhecimentos adquiridos nas suas unidades de produção. Cada sessão de formação é adaptada às realidades locais e aos desafios específicos de cada província, promovendo a apropriação e aplicação contextualizada dos conhecimentos.
“O plano de biossegurança é o manual de protecção da unidade piscícola”, sublinha a documentação do programa. “Não se trata apenas de limpar, mas de pensar estrategicamente, organizar processos e controlar riscos de forma contínua e sistemática. É uma abordagem de gestão que protege o investimento, aumenta a produtividade e abre portas para mercados mais exigentes.”
Impacto Esperado e Visão de Longo Prazo
As formações visam resultados concretos e mensuráveis para o desenvolvimento do sector aquícola moçambicano:
- Redução significativa da mortalidade de peixes nas unidades produtivas através da implementação de medidas preventivas eficazes
- Melhoria do crescimento, conversão alimentar e índices de produtividade geral
- Diminuição substancial de gastos com tratamentos de emergência e gestão de crises sanitárias
- Incremento da qualidade e segurança do produto final, aumentando a competitividade
- Maior confiança dos compradores nacionais e internacionais, facilitando o acesso a mercados regionais (SADC) e internacionais mais exigentes, incluindo a União Europeia e mercados asiáticos
- Fortalecimento da resiliência e sustentabilidade do negócio aquícola face a choques externos, incluindo alterações climáticas
- Contribuição para a segurança alimentar e nutricional através do aumento da disponibilidade de proteína de origem aquática de qualidade
- Criação de emprego qualificado, particularmente para jovens e mulheres ao longo da cadeia de valor
A longo prazo, a formação procura contribuir para uma produção mais segura e para a preparação dos operadores face aos requisitos de mercado. Estes são objetivos de desenvolvimento, não medições de emprego ou de produção gerados pelo MAMAP.
Sobre o Projeto MAMAP
O MAMAP — Acesso ao Mercado dos Produtos da Aquacultura Moçambicana — foi implementado pela UNIDO com financiamento de 2 milhões de euros da Norad. O relatório abrange a implementação de Abril de 2022 a Setembro de 2026, incluindo prorrogações, com foco na capacidade institucional, na conformidade das empresas e na cultura de qualidade.
O MAMAP integra o Programa Global de Acesso ao Mercado (GMAP). A contraparte nacional foi o MIMAIP, sucedido pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) após a reestruturação. O trabalho envolve instituições como o INIP, o IDEPA e o INNOQ, além de organizações de produtores e empresas.
A escolha da cadeia de valor da aquacultura baseia-se no seu forte potencial de competitividade, capacidade de geração de emprego, contribuição para a segurança alimentar, e alinhamento com as prioridades nacionais de desenvolvimento. Apesar dos desafios actuais, o sector aquícola moçambicano demonstra um potencial de crescimento exponencial que pode contribuir significativamente para o crescimento económico nacional, redução da pobreza e melhoria da balança comercial.






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