Moamba, 12 de Maio de 2025 – Numa manhã marcada por partilha de experiências, aprendizagem prática e espírito de comunidade, piscicultores da província de Maputo reuniram-se hoje na unidade Tilápia da Moamba para o arranque da formação regional em biossegurança na aquacultura, no âmbito do Projecto MAMAP, implementado pela UNIDO com financiamento da NORAD.

A formação, que junta operadores aquícolas, técnicos do INIP e do IDEPA, pretende responder a um desafio comum em todo o país: como evitar doenças nos viveiros e proteger a produção aquícola. Muitos dos participantes vieram com expectativas claras — aprender a prevenir perdas e melhorar os seus resultados.

“Às vezes, os nossos peixes adoecem de repente e não sabemos porquê. Esta formação está a ajudar-nos a entender melhor as causas e o que podemos fazer para evitar isso,” contou Rui Gomes, piscicultor da Frangos de Mahubo.

Cada piscicultor saiu com um plano na mão

Para reforçar o aprendizado e garantir a aplicação prática do que foi ensinado, cada participante recebeu um exemplar impresso do Manual de Biossegurança para Piscicultura, elaborado pelo Instituto de Inspeção do Pescado (INIP) com apoio técnico da UNIDO.

“Este manual é como uma bússola para quem trabalha com peixe,” afirmou Lúcia Machaila, produtora na unidade Tilápia da Moamba. “Com ele, podemos aplicar o que aprendemos aqui mesmo nas nossas unidades, passo-a-passo.”

O documento contém orientações detalhadas sobre análise de riscos, higiene, quarentena, controlo de pragas e resposta a surtos de doenças — tornando-se uma ferramenta essencial no dia-a-dia dos piscicultores.

Biossegurança: da teoria à prática, passo a passo

Durante a parte da tarde, os formandos participaram numa sessão prática que transformou os conceitos teóricos em acções reais: montaram pedilúvios, prepararam soluções desinfetantes com cloro, analisaram os pontos de entrada de água, discutiram o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e simularam o controle da circulação de pessoas e resíduos nas unidades.

Com o apoio do consultor Vicente Ernesto, os participantes aprenderam inclusive a calcular a concentração ideal de cloro em grandes tanques, como os de 1.000 m² e 2 metros de profundidade, promovendo uma abordagem científica acessível ao contexto local.

“A biossegurança é como um seguro invisível: protege os peixes, a renda das famílias e até o ambiente. E o mais importante é que não exige grandes investimentos — começa com pequenas mudanças de atitude,” reforçou o consultor durante a demonstração.

Próximas paragens: Gaza e Inhambane

A formação continua esta semana noutras localidades estratégicas para a aquacultura moçambicana:

  • 14 de Maio: Papapesca – Chokwé (Gaza)
  • 15 de Maio: Sihaka – Zavala (Inhambane)
  • 16 de Maio: Bloco 6 – Maxixe (Inhambane)

Com estas acções, o Projecto MAMAP reafirma o seu compromisso com uma aquacultura mais segura, sustentável e inclusiva, apoiando os produtores locais a protegerem não apenas os seus tanques — mas também os seus sonhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *