Chokwé, 14 de Maio de 2025 – Após uma sessão marcante em Moamba, a formação em biossegurança na aquacultura promovida pelo Projecto MAMAP, implementado pela UNIDO com financiamento da NORAD, chegou à província de Gaza, reunindo piscicultores e técnicos na unidade Papá Pesca, no distrito de Chokwé.

A acção, que faz parte de um ciclo regional de capacitações, visa dotar os operadores aquícolas de conhecimentos práticos sobre como prevenir surtos de doenças, proteger os viveiros e garantir a produtividade dos seus sistemas de produção.

Desafios do terreno ganham voz

A sessão começou com um momento franco de escuta aos piscicultores locais. Entre os principais desafios identificados estão a escassez de ração, predadores nos tanques, problemas de infiltração e capilaridade do solo e o acesso instável ao mercado para escoamento da produção.

“Se, com todos esses problemas, ainda nos surgirem doenças, vai ser difícil recomeçar. Estamos aqui porque ainda estamos a tempo de prevenir,” alertou um dos participantes durante a troca de experiências.

Papá Pesca: um exemplo local de biossegurança

Durante a visita técnica à unidade Papá Pesca, os participantes puderam observar in loco um modelo estruturado de produção de alevinos com boas práticas sanitárias. A área de produção possui 57 tanques, divididos entre reprodutores, reversão e engorda.

O processo inicia com o acasalamento em tanques de terra, seguido pela coleta e seleção rigorosa dos ovos.

“Levamos as bandejas connosco para diferenciar os ovos. Os não fertilizados, como os brancos, são imediatamente descartados,” explicou um dos técnicos da unidade.

O ambiente já apresenta medidas visíveis de biossegurança, desde o controlo de acessos à separação por áreas funcionais. A ideia, segundo os organizadores, é que as práticas observadas possam ser replicadas noutras unidades de menor escala.

Formação prática com impacto real

Tal como em Moamba, a formação em Gaza incluiu uma sessão prática intensiva, onde os piscicultores aprenderam a aplicar soluções desinfetantes, montar pedilúvios, calcular dosagens de cloro e discutir formas de melhorar o controlo de circulação e higiene nas suas instalações.

Cada participante recebeu um exemplar do Manual de Biossegurança para Piscicultura, desenvolvido pelo INIP com apoio técnico da UNIDO, como ferramenta para continuar a aplicar os ensinamentos no dia-a-dia.

“O nosso objectivo é que cada piscicultor saia daqui com um plano simples, mas eficaz, para proteger a sua produção. A biossegurança começa pelos pequenos gestos,” reforçou Vicente Ernesto, consultor da formação.

O caminho continua por Inhambane

A próxima paragem da caravana de formação é a província de Inhambane, com sessões agendadas para os dias 15 e 16 de Maio em Zavala (Sihaka) e Maxixe (Bloco 6), respectivamente.

Com estas formações, o Projecto MAMAP reforça o seu compromisso em promover uma aquacultura resiliente, inclusiva e segura — onde cada produtor tenha as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios do sector e continuar a alimentar o país com dignidade e qualidade.

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