
Quissico, 15 de Maio de 2025 – Na vila de Quissico, distrito de Zavala, piscicultores e membros de associações comunitárias participaram, com entusiasmo, numa sessão formativa que pode marcar um novo capítulo para a aquacultura local. A acção, promovida no âmbito do Projecto MAMAP, implementado pela UNIDO com financiamento da NORAD, levou conhecimentos essenciais sobre biossegurança em aquacultura a pequenos e médios produtores da região.
O evento, que faz parte de um ciclo de formações regionais, abordou temas fundamentais para prevenir surtos de doenças nos sistemas de produção de peixes, promover boas práticas sanitárias e fortalecer a sustentabilidade das explorações aquícolas.
Conhecimento que nasce da realidade
Logo no início da formação, o consultor Vicente Ernesto destacou que a biossegurança não é apenas um conceito técnico, mas uma prática diária que pode proteger vidas, investimentos e alimentos.
“Tudo começa com pequenos gestos: lavar as mãos antes de entrar, garantir que os alevinos sejam de boa qualidade, evitar o superpovoamento dos tanques… A biossegurança é isso: prevenção,” explicou.
Durante o momento de escuta, os piscicultores partilharam os seus desafios mais recorrentes: escassez e elevado custo da ração, baixa qualidade de alevinos fornecidos, mortalidade associada a más condições de transporte e quarentena inadequada, e falta de controlo no povoamento dos tanques.
“A nossa maior preocupação é a ração. Quando há, está cara. E mesmo os alevinos que recebemos nem sempre crescem bem,” comentou um produtor local.
Outro participante relatou situações de superpovoamento que causam stress nos peixes, levando a lesões e aumentando o risco de contaminação.
Plano de biossegurança: da teoria à prática
A formação incluiu uma sessão prática onde os participantes foram desafiados a aplicar os conceitos debatidos. Desde a criação de pedilúvios até à organização do fluxo de entrada e saída de pessoas e materiais, tudo foi pensado com foco na realidade local.
“Aqui em Quissico, por exemplo, há um espaço para a produção de alevinos. Isso exige cuidados específicos: quem traz os ovos deve parar num ponto, desinfetar os pés, lavar as mãos e só depois entregar o material,” explicou Vicente, enquanto orientava os participantes na elaboração de um plano simples de biossegurança para as suas unidades.
Foi também discutido o uso de roupas exclusivas para quem trabalha diretamente com o peixe, bem como a necessidade de sinalizar espaços e organizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Ferramentas para continuar a aprender
Cada participante recebeu um exemplar do Manual de Biossegurança para Piscicultura, produzido pelo INIP com apoio técnico da UNIDO, como referência prática para aplicar e adaptar as medidas ao seu contexto.
“Foi um dia intenso, mas produtivo. Não dá para aprender tudo em poucas horas, mas saímos com ferramentas essenciais e vontade de aplicar,” resumiu uma piscicultora no encerramento da sessão.
Próximas etapas
O ciclo de formações segue agora para a Maxixe, onde o foco continuará a ser reforçar capacidades locais, prevenir riscos sanitários e proteger a produtividade aquícola em Moçambique.
Com estas iniciativas, o Projecto MAMAP reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável da aquacultura, colocando nas mãos dos produtores não só manuais, mas também conhecimento, autonomia e confiança para superar os desafios do sector.
