
Maxixe, 16 de Maio de 2025 – A cidade de Maxixe, em Inhambane, acolheu esta sexta-feira o último dia do ciclo regional de formações sobre biossegurança na aquacultura, promovido pelo Projecto MAMAP, com implementação da UNIDO e financiamento da NORAD. O evento decorreu no Bloco 6, uma das unidades produtivas mais relevantes da região, reunindo dezenas de piscicultores, técnicos e membros de associações locais.
“Biossegurança não é uma palavra para temer. Significa prevenir. Significa fazer coisas simples para que as doenças não entrem nos nossos tanques,” explicou o consultor Vicente Ernesto, ao iniciar a sessão.
A formação foi dividida em dois momentos: uma parte teórica pela manhã e uma componente prática à tarde, com visita orientada aos tanques e debate sobre barreiras sanitárias e organização das zonas produtivas.
Do conhecimento à prática: reforçando a prevenção
Durante a manhã, foram abordados temas como a importância da alimentação regular e balanceada, o impacto negativo do uso de ração deteriorada, e os riscos associados à falta de monitoramento da qualidade da água. O formador reforçou que o peixe, tal como qualquer outro ser vivo, precisa de rotina e cuidados constantes.
“O peixe não tem domingo nem feriado. Se hoje não o alimentas, amanhã ele já perdeu peso,” alertou Vicente, arrancando sorrisos e reflexões do grupo.
Os participantes partilharam preocupações comuns sobre o acesso limitado à ração de qualidade, os custos elevados de insumos, e a ocorrência de mortalidade associada ao manuseamento inadequado dos alevinos, o que reforçou a importância da formação.

Bloco 6 como exemplo de boas práticas emergentes
Na parte da tarde, os participantes foram guiados pelos tanques do Bloco 6, onde discutiram soluções práticas de biossegurança, como:
- Instalação de barreiras físicas (plásticos em torno dos tanques) para impedir a entrada de caranguejos;
- Uso de fios de nylon sobre os viveiros para afastar aves predadoras;
- Organização dos blocos produtivos com sinalização, zonas de desinfecção e controle de resíduos.
“Aqui no Bloco 6 temos 81 tanques no total, dos quais 42 estão nesta unidade. Já havíamos aplicado algumas dessas medidas, mas é sempre bom melhorar,” destacou um dos gestores locais.
Além disso, cada participante recebeu um exemplar do Manual de Biossegurança para Piscicultura, desenvolvido pelo INIP com apoio técnico da UNIDO, como referência para a implementação das boas práticas em suas unidades.

Encerramento com sentido de missão cumprida
O evento em Maxixe encerra uma jornada de cinco dias de formação intensiva, que passou por Moamba (Maputo), Chokwé (Gaza), Quissico (Zavala) e, finalmente, Maxixe. Ao longo da semana, mais de 80 produtores foram capacitados, somando conhecimento técnico, troca de experiências e soluções adaptadas à realidade de cada região.
“Hoje não aprendemos tudo, mas levamos ferramentas básicas para mudar muita coisa,” partilhou um participante no encerramento.
Com esta iniciativa, o Projecto MAMAP reafirma o seu compromisso com o fortalecimento das capacidades locais, promovendo uma aquacultura mais segura, organizada e sustentável para todos.