
A organização dos produtores é uma condição essencial para melhorar o acesso ao mercado. No âmbito do MAMAP, a AMPCM apresentou a experiência de promoção do modelo cooperativo e o processo de transformação de grupos e associações em cooperativas ligadas à pesca e aquacultura.
As cooperativas ajudam a resolver um dos principais desafios dos pequenos produtores: a fragmentação. Produzir isoladamente torna mais difícil comprar insumos, transportar produtos, negociar com compradores, cumprir requisitos de qualidade e aceder a financiamento. Quando os produtores se organizam, ganham escala, partilham custos e conseguem apresentar-se ao mercado de forma mais estruturada.
A apresentação mostrou que o cooperativismo não é apenas uma forma social de organização. É também um modelo económico. Ao contrário de uma associação puramente filantrópica, a cooperativa combina objectivos sociais com actividade comercial, permitindo que os membros participem na produção, venda conjunta, gestão, governação e construção de património comum.
No MAMAP, o processo incluiu diagnóstico dos grupos, capacitação, assembleias constituintes, eleição de órgãos sociais e apoio à legalização. A experiência demonstrou que a formação prévia, a coordenação com as instituições locais, a adaptação da linguagem e o acompanhamento contínuo são fundamentais para que as cooperativas funcionem para além do momento de criação.
As cooperativas apoiadas pelo projecto reforçaram a governação, a formalização e a capacidade de aceder a oportunidades de mercado e financiamento. Também mostraram o potencial do modelo para promover inclusão, com participação importante de mulheres nos grupos apoiados.
A principal lição é clara: qualidade sem organização não gera, por si só, acesso ao mercado. Para pequenos produtores entrarem em cadeias de valor mais exigentes, é preciso combinar boas práticas, formalização, governação, financiamento e venda conjunta.
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